[Resenha] A Partitura de Clara

20 de julho de 2020

Título: A Partitura de Clara
Autor: Silvia Gerschaman
Editora: Penalux
Páginas: 200
Ano: 2020
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*Cortesia da Oasys Cultura
Sinopse: A partitura de Clara pode ser visto como um romance histórico de formação, ou seja, trata-se de uma narrativa que se passa numa época histórica muito rica em transformações estéticas e políticas, tendo como pano de fundo a música, e, além disto, acompanha de perto a formação artística e a trajetória pessoal da sua protagonista.  O desenrolar da obra se dá em dois planos: no primeiro, dois pesquisadores de historia contemporâneos, o francês Patrick e a brasileira Anna, dedicam-se a procurar a partitura perdida de uma obra de Clara Schumann e, em segundo plano, narra-se a trajetória da pianista e compositora. [...] Ao longo de toda a narrativa, a autora consegue um bom equilíbrio entre a pesquisa histórica aprofundada que realizou sobre a época e os protagonistas que escolheu desenvolver e a construção de uma linguagem sensível, destinada a interessar e seduzir o leitor. [Por Elias Fajardo]
Resenha
Patrick e Anna se conheceram em um congresso de ciências sociais no qual participaram da mesma mesa de discussões sobre a influência francesa na cultura brasileira. O assunto interessava muito aos dois e em pouco tempo se tornaram amigos, ele um francês e ela uma brasileira. Patrick apresentou a Anna um assunto que a intrigou imediatamente, uma história que foi contada através do tempo entre familiares, passava de geração em geração e chegou aos ouvidos do francês.

Há uma partitura valiosíssima que foi perdida com o passar dos anos, pouco se sabe sobre ela, desde o começo era para ser um segredo e a família tratou de cuidar para que a partitura jamais se tornasse pública. Porém, em um determinado momento da História, ela se perdeu e os familiares nunca mais conseguiram encontrá-la. Trata-se da partitura inédita de Clara Schumann, uma das pianistas e compositoras mais importantes do século XIX. Ela compôs a partitura em questão em um momento muito triste de sua vida e por nunca ter tido a oportunidade passá-la pelo crivo do marido decidiu mantê-la em segredo.
Patrick é um dos descendentes de Clara e está decidido a encontrar a partitura, para essa busca ele conta com a ajuda de sua amiga Anna. Os dois vão embarcar em uma exaustiva jornada na tentativa de encontrar a partitura perdida de Clara, é necessário viajar para a Alemanha, local onde nasceu e viveu a pianista. Patrick e Anna têm uma ideia de por onde começar e o que devem fazer para dar os primeiros passos nessa empreitada, querem fazer contato com os descendentes de Clara e percorrer os locais por onde ela passou. E isso é só o começo, muitas coisas vão acontecer, eles terão que superar os obstáculos que surgirem pelo caminho e eles ainda vão se deparar com um esquema clandestino perigoso de vendas de obras de arte.

Mesmo que Patrick já soubesse um pouco sobre a vida de sua ancestral, durante as investigações que realiza com Anna ele passa a conhecer muito mais. Com o tempo, Patrick e Anna descobrem muitas informações sobre a vida de Clara, uma mulher que estava à frente de seu tempo. Clara teve oito filhos com o seu marido Robert Schumann, um exímio compositor. A relação entre eles foi conturbada desde cedo, o pai de Clara não aprovava o namoro entre eles e houve até um processo judicial para que pudessem se casar, mas somente ao completar a maioridade penal é que Clara teve autorização do juiz para casar-se com Robert.
A vida de Clara sempre foi difícil, a mãe saiu de casa e Clara foi submetida aos cuidados rigorosos do pai, que tinha o desejo de ver a filha uma pianista famosa, então ditava uma educação regrada e sem margens para diversão. Robert era aluno do pai de Clara e por vezes ficou responsável por cuidar das crianças da casa na ausência do pai, em questão de pouco tempo ele e Clara se apaixonaram, ela ainda com doze anos e ele já um homem. Tiveram que se encontrar ás escondidas com a ajuda das amigas de Clara, levaram o namoro assim até que ela completasse vinte e um anos e, então, puderam se casar – sem o consentimento do pai dela.

Robert sofria com depressão e o vício nas bebidas, em muitos momentos era acometido pela loucura e preferia manter-se afastado de Clara e dos filhos, mas sabia que tal comportamento fazia mal a todos, inclusive a ele mesmo. Clara passava muitos dias foras realizando concertos e ao longo dos anos Robert só piorava, tornando a convivência cada vez mais difícil, porém o amor entre eles não diminuía. Robert ficava sem falar com a família e Clara nunca conseguiu fazer com que ele avaliasse a sua partitura, mantendo-a, assim, em segredo.
“Nem Clara conseguia entender o horror que Robert atravessava, nem Robert conseguia perceber o momento tão desolador pelo que Clara passava. Eram duas almas que se uniam no infinito; no presente eram duas paralelas incomunicáveis. Robert se impedia de vê-la ou de receber a visita dela, como uma forma de poupá-la de presenciar a própria degradação. E ela desejava sentir seu toque mais uma vez. Abraçá-lo, senti-lo a seu lado.”
Minha impressão
A Partitura de Clara é uma leitura que nos intriga a cada capítulo, a obra possui um contexto histórico muito rico em detalhes e traz uma história de ficção que se mescla facilmente com a realidade. Clara Schumann foi uma importante pianista e compositora do Século XIX, casada Robert Schumann.

No livro nós acompanhamos dois jovens em busca de uma suposta partitura de Clara que teria sido perdida na Alemanha durante o período nazista. Clara sempre submetia as suas composições ao olhar crítico do marido, no entanto, uma partitura em especial não pôde ser analisada por ele e Clara a manteve em segredo, a família cuidou para que continuasse assim. Contudo, com a perda da partitura, os descendentes de Clara mantiveram viva a memória dela e passaram de geração em geração detalhes sobre a sua existência.

A obra intercala os capítulos entre passado e presente, então podemos ver Patrick e Anna avançando nas investigações sobre o paradeiro da partitura ao mesmo tempo em que temos uma visão de como era a vida de Clara antes e depois de seu casamento. A autora inseriu alguns trechos do diário de Clara e Robert que deixam a obra ainda mais interessante. A única coisa que me incomodou um pouco foi o fato de haver uma grande repetição na afirmação de que Clara era uma mulher à frente de seu tempo.

Minha nota para o livro

6 comentários:

  1. Oiii Bia

    Eu acho interessante livros que misturam ficção com dados históricos verdadeiros, me deixa sempre curiosa. Confesso que esse livro não faz muito meu estilo, acho que de momento não leria, mas quem sabe um dia. A narrativa intercalada ebtre passado e presente deixa a trama mais ágil né?

    Beijos, Ivy

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  2. Ultimamente eu tenho gostado muito de livros que misturam a ficção com a realidade, mas sem perder a mão sabe! Eu li um recentemente e foi uma leitura incrivel.
    Já gostei desse livro por saber que ela intercala passado e presente, eu sempre me apaixono por livros assim!!
    Já quero ler, até sseparei aqui! Arrasou na dica!

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  3. Oi Beatriz.

    Estou conhecendo este livro através da sua opinião e achei bem interessante. Gosto muito de histórias que mostram o passado e presente dos personagens. Dá para conhecer melhor os personagens e como eles desenvolvem.

    Bjos

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  4. Oi, tudo bem?
    Eu não conhecia esse livro ainda, mas fiquei bem curiosa para ler. O contexto histórico foi o aspecto que me deixou mais animada para conferir, porque parece ter sido muito bem explorado na obra. Além disso, achei interessante o fato de mesclar ficção e realidade.
    Adorei sua resenha e conhecer a obra. Parece ser bem interessante e vou anotar a dica.
    Beijos!

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  5. Oi Beatriz!

    Não conhecia a obra e nem a autora do mesmo, achei a premissa dele interessante, mas não nego que essa não seria uma leitura que eu ficaria eufórico em fazer rsrs, eu achei estranho a paixão de uma menina de 12 anos e um homem, não é exatamente algo que gosto de ver em livros.

    Beijos!
    Eita Já Li

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