29 de março de 2016

[Resenha] Ao Pé da Escada

Título: Ao Pé da Escada
Autor: Lorrie Moore
Editora: Record
Páginas: 336
Ano: 2011
Skoob: Adicione



Um enredo forte e bem marcante que nos mostra uma grande crítica social. Narrando o cotidiano de Tassie, uma jovem babá que cuida de uma criança negra que está sendo adotada por uma família branca, logo após o atentado do 11 de Setembro.
Tassie Keltijin é uma jovem universitária de 20 anos, sempre viveu em sua fazenda, isolada do mundo. Muito ingênua para a sua idade mas cheia de grandes ideias, é apaixonada por literatura, filosofia e música. A jovem precisa de emprego e após enviar muitos currículos é chamada para uma entrevista como babá. Ao chegar no local, surpreende-se quando Sarah (sua futura patroa) lhe diz que ainda não tem um bebê mas que está adotando e por isso já quer deixar tudo pronto para a chegada do novo integrante da família.

Sarah gostou da jovem e decidiu contratá-la, ainda no mesmo dia ligou pedindo que na manhã seguinte Tassie fosse com ela e com o marido, em uma entrevista de adoção, precisava causar boa impressão e levar a babá daria um ar de confiança e de que seriam pais responsáveis. Na entrevista, uma representante de uma agência intermediaria a reunião entre a mãe biológica e a pretendente para a adoção. Tassie presenciou duas reuniões, com mães diferentes, até que eles pudessem assinar os papéis para adoção de uma linda menininha negra. No entanto, Sarah e Edward (marido dela) eram brancos e a decisão de adotar uma criança negra, não seriam bem vista ou bem interpretada por todos.
Após uma grande burocracia, o casal leva a pequena Mary-Emma para casa como pais adotivos provisórios, ainda precisariam ficar um período em experiência até que fossem a família adotiva definitiva. Sarah é dona de um restaurante e passa a maior parte do tempo no trabalho, Edward é um advogado que pouco fica em casa. A relação entre o casal não é das melhores e é nítido que existe algo de errado entre eles.

Tassie é quem passa a maior parte do tempo com Mary-Emma e elas acabam se apegando demais. A babá logo passa a cuidar da pequena como se fosse sua própria filha, ensinando e criando da maneira como achava melhor. Por ser uma criança negra em um bairro de gente branca, Mary-Emma sofre muitos insultos e é vítima constante de racismo, mesmo que ainda não entenda.
Enquanto se divide entre os estudos e os cuidados com Mary-Emma, Tassie começa um relacionamento com um jovem que se diz brasileiro e a ensina português (que está mais para portunhol) e bebê que está na fase de começar a falar, também aprende algumas palavras.

Quando tudo parecia bem, algo que nos corta o coração acontece. Um segredo chocante e obscuro de seus patrões é jogado em cima de Tassie e, paralelamente, uma grande mudança chega causando um sofrimento sem fim.
Minha impressão
É um livro triste e com características muito fortes e marcantes. Tassie era muito ingênua por viver isolada no interior e aos poucos foi amadurecendo com suas experiências. Mary-Emma é uma bebê tão pequenina mas que já tinha passado por muita coisa antes de ser adotada pelo casal e ainda passará por muitas outras. O racismo é algo palpável nessa história onde a autora nos mostra o quanto o ser humano pode ser baixo e repugnante quando se trata apenas da cor da pele. O enredo é bastante complexo e nas entrelinhas a autora nos traz muitas críticas sociais, mesclando o trágico e o cômico. 

A narrativa acontece de forma muito lenta e a personagem tem muitos devaneios. Tassie se perde nas conversas enquanto fica presa em seus pensamentos. Durante a leitura é comum de Tassie, bem no meio de uma conversa, começar a se lembrar de algo e essa lembrança se segue por alguns parágrafos (ou até mesmo páginas) e quando volta para a realidade, continua de onde parou e isso me confundia bastante pois não tem nada que indique onde começa uma lembrança e onde ela termina. Acho que esse foi o único ponto do livro que me desagradou, não pelas lembranças em si, mas por ela perder muito tempo lembrando, enquanto a história atual fica de lado. 

É um livro indicado, mas não leia achando que vai encontrar um romance bonitinho ou fofo, é uma história triste e romance propriamente dito, quase não existe na trama. 

Minha nota para o livro

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