12 de fevereiro de 2016

[Resenha] Enquanto Bela Dormia

Título: Enquanto Bela Dormia
Autor: Elizabeth Blackwell
Editora: Arqueiro
Páginas: 368
Ano: 2016
Skoob: Adicione



Uma releitura do clássico A Bela Adormecida. Sob um ponto de vista diferente, Enquanto Bela Dormia, traz novos elementos ao tão famoso conto de fadas. Uma trama cheia de segredos, intrigas e amor incondicional, capaz de abdicar da própria vida em prol de quem mais se ama. Quem nos conta essa trágica história é Elise, uma empregada que aos poucos ganhou a confiança da rainha e terá um papel importante na vida de Bela.

"Hum! Seria mesmo um belo truque derrubar uma filha da realeza com um fuso pontiagudo, depois vê-la renascer com um único beijo. Se existe esse tipo de mágica, ainda não a conheci. O horror do que realmente aconteceu perdeu-se, e não é de admirar. A verdade está longe de ser uma história de criança."
Elise já é uma senhora e todas as noites escuta sua neta contando histórias para os irmãos dormirem, a preferida é A Bela Adormecida. Em uma dessas noites, sua neta descobre um baú antigo que ela vinha guardando há anos e dentro do baú estão objetos importantes para Elise, que a lembram de um passado doloroso porém lhe trazem à mente lembranças de pessoas queridas. Dentre tantos objetos que ela guarda com carinho, está um que deveria ser esquecido, um punhal. Sendo a única testemunha da verdadeira história, Elise teme que as lembranças se percam e a história de Rosa seja esquecida, então resolve contar para a neta, a verdade por traz do conto de fadas. Ela narra a sua história que logo se encontrará com a de Rosa.
Elise cresceu em uma fazenda e teve uma infância sofrida, desde cedo trabalha para ajudar em casa e é conhecida como uma filha bastarda, mas nada sabia sobre isso. Um dia sua mãe lhe conta que foi expulsa do castelo ainda grávida e casou-se com o com o atual marido por não ter outras opções. O homem sempre as maltratou e as tinha como empregadas. Algum tempo depois, a família adoeceu e foram diagnosticados com Varíola, uma doença que os devastou levando quase todos à morte, Elise conseguiu sobreviver. Nos últimos suspiros da mãe, ela lhe pediu que a filha procurasse por uma antiga amiga no castelo para que não ficasse desamparada, então, com algum esforço, ela conseguiu fugir de seu pai.

A vida no castelo era o sonho de qualquer um, para Elise, ser aceita como uma das empregadas seria motivo de honra e isso que ela almejava. Conseguir entrar para a criadagem do castelo é difícil, mas ao procurar pela amiga de sua mãe e contar o ocorrido, Elise foi prontamente recebida como empregada. Começou de baixo e com o passar do tempo despertou a atenção da Rainha Lenore, tornando-se sua criada pessoal e foi alvo de muita inveja, pois essa era a posição mais cobiçada dentre os empregados.
A Rainha Lenore vivia angustiada por não poder gerar uma criança, seu marido precisava de um herdeiro para o trono e seu tempo estava acabando. O irmão do rei não esperaria mais e tomaria o trono por direito. Desesperada pela infertilidade, Lenore procura Millicent, uma tia do rei que era conhecida por seus supostos poderes mágicos e feitiços. Millicente era uma mulher arrogante e temida por muitos, sua ajuda custaria caro! mas a rainha só se daria conta em um futuro bem próximo. A ajuda da tia deu certo, em poucos dias a rainha revelou sua gravidez e o rei anunciou que seu irmão não mais herdaria o trono pois seu herdeiro estava sendo gerado no ventre da rainha.

Meses depois nasceu uma menina que foi chamada de Rosa. O rei Ranolf não voltou atrás e afirmou que Rosa seria sua herdeira, uma atitude sem precedentes pois uma mulher jamais havia herdado o trono e essa atitude trouxe muito ódio, rancor e inveja. O rei expulsa a tia do castelo e ela joga sua maldição desejando a morte de Rosa, mas sem dizer como ou quando, apenas deixando-os temerosos por cada segundo seguinte.

Assolados pela maldição o rei e a rainha tentam criar Rosa da maneira mais segura possível, prendendo-a dentro dos muros do castelo e sob supervisão o tempo todo. No entanto, todo esse esforço não foi suficiente e quando não havia mais esperança, Elise é a única chance da princesa Rosa.
Minha impressão
Eu estava cheia de expectativas para essa leitura e afirmo que todas foram superadas. A escrita da autora é graciosa e a narrativa é elegante. Uma trama sem muitos diálogos ou ações e totalmente instigante. Elise é uma personagem cativante e sua narração é formidável pois ficamos presos na leitura enquanto ela expõe os fatos, apresentando um olhar diferente da tão conhecida história. 

Enquanto acompanhava o drama da família real, Elise vivia seu próprio drama, sendo obrigada a fazer escolhas que lhe partiam o coração. Ela vive exclusivamente para a felicidade de Rosa, esquecendo-se de suas próprias. Rosa só queria ser livre, sair dos muros dos castelos e viver suas próprias decisões, mas nada lhe era permitido pois a maldição a seguia.

O desfecho dessa trama é encantador. Elizabeth Blackwell, vai dando indícios do final nas últimas páginas, mas somente quando o momento chega é que o leitor é surpreendido com genialidade da autora ao ver como o fato se desenrola.  

Eu gostaria de falar sobre mais personagens, só que essa resenha ficaria ainda maior do que já está, então vou citar alguns nomes que ajudaram a deixar essa trama ainda mais atraente: Marcus, Doriam, Petra, Flora e Prielle. São personagens que merecem atenção mas eu não posso falar muito sobre eles para não dar nenhum spoiler, são todos ligados à Elise e cada um deles desempenha um papel diferentes na vida dela.

Uma história que ganhou meu coração.

Minha nota para o livro

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