[Resenha] A Sétima Cela

8 de março de 2019

Título: A Sétima Cela (Livro 01)
Autor: Kerry Drewery
Editora: Astral Cultural
Páginas: 320
Ano: 2016
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*Acervo pessoal
Sinopse: Martha Heneydew é a primeira adolescente a ser presa e condenada no novo sistema de justiça da Inglaterra. A polícia a encontrou ao lado do corpo de Jackson Paige, filantropo, milionário e uma das celebridades mais queridas do país.
Nesse novo sistema de justiça, o condenado tem sete dias - cada dia em uma cela diferente - para ter seu destino determinado pelos votos dos telespectadores. Se a audiência do programa de TV "Morte é Justiça" decidir pela inocência do preso, ele será solto. Caso contrário, será morto na cadeira elétrica. Porém, algumas peças não se encaixam na história que Martha conta para a justiça. Ela se declara culpada, mas há algo por trás da cena do crime que os telespectadores ainda não sabem.
Com a ajuda da consultora psicológica, Eve Stanton, de um juiz do antigo sistema jurídico, Cícero, e do seu grande amor, os sete dias que precedem sua execução serão de muita intensidade, sofrimento, descobertas inesperadas e reviravoltas de perder o fôlego.
Quem é, de verdade, Jackson Paige? Martha Heneydew é realmente culpada? Será que esse sistema jurídico é justo?
Nesta distopia eletrizante, todas essas questões nos fazem refletir sobre o poder do dinheiro que, muitas vezes, prevalece sobre a justiça. E Martha, uma adolescente forte e destemida, mostra sua crença em uma sociedade verdadeiramente justa, na força da amizade e do amor. Mesmo que isso possa significar sua própria vida.
Resenha
“Os olhares que eles me lançam estão cheios de desprezo, as algemas no meu pulso são geladas como os seus corações.
Eles vivem na bolha das Avenidas e da Cidade, deixam o brilho os cegar e não se perguntam o que há fora dali.
Eu vou morrer em sete dias porque é necessário, mas, depois disso, as bolhas deles vão estourar e todo mundo saberá a verdade.”
Jackson Page era uma celebridade no país e visto por todos como um homem de bem, com muitos projetos sociais, era querido pelas pessoas e estava sempre disposto a ajudar. No entanto, ninguém sabe sobre sua verdadeira personalidade e as coisas que ele faz para passar a imagem que quer à sociedade. Então ele morre e o seu passado sujo está prestes a vir à tona.

Martha Honeydew foi pega em flagrante pela polícia. Ela estava com a arma do crime nas mãos. Ela afirmou ter atirado e matado Jackson Page. Ela foi presa. Agora sua vida está nas mãos da população que pode decidir se ela é ou não a culpada. O sistema judiciário já não existe mais, os crimes são resolvidos através de um programa de televisão no qual os telespectadores têm o poder da decisão, eles ligam e votam contra ou a favor e dependendo do resultado o acusado morre ou vive.
São ao todo sete celas, cada acusado passa por todas elas e em cada uma enfrenta torturas psicológicas e situações que o levam ao seu limite. Tudo por uma boa audiência do Reality Show. As celas têm câmeras e as pessoas podem ver tudo, o único momento de privacidade oferecido aos presos são as consultas com um psicólogo designado. Para Marta a psicologia escolhida foi Eve e ela terá um importante papel nesse caso.

Esse sistema de justiça é falho, mas ninguém se importa. As pessoas preferem acreditar nas notícias da mídia manipulada. As pessoas com condições financeiras compram tudo com o dinheiro, inclusive a vida das que são menos favorecidas. Quem mora nas Cidades e nas Avenidas não tem ideia do que realmente acontece fora do seu mundinho. Quem mora nos arranha-céus (lugares muito pobres) conhece a sujeira por trás da fachada, mas o medo do que lhes pode acontecer se falarem alguma coisa os domina, são obrigados a fingirem que não viram nada. Dia após dia são eles que levam a culpa, os ricos cometem os erros e os pobres é que pagam.
Martha quer acabar com isso. Ela quer mostrar a verdade às pessoas. Jackson Page fez muita coisa ruim e ela precisa revelar. Mas ela é apenas mais uma garota pobre e ninguém acreditaria nela. A arma em suas mãos lhe deu a chance de mudar as coisas. Há algum tempo um plano foi arquitetado, agora surgiu a oportunidade para colocá-lo em prática.  Porém, para conseguir o que quer, ela tem que entregar a sua vida e no final do sétimo dia morrer na cadeira elétrica.

Sua psicóloga designada percebe que tem algo errado com Martha e a sua declaração de culpada. Eve sente que Martha está escondendo a verdadeira identidade do assassino, só não sabe por que a jovem adolescente está fazendo isso. Ela vai contra o sistema para descobrir os segredos de Martha e o que encontra a deixa completamente chocada. Eve precisa ajudar Martha.
“As pessoas acham que o governo está dando poder a elas, mas isso é uma ilusão! O governo não se importa se a verdadeira justiça é feita. Essas pessoas só se importam com o poder. Esse é o objetivo...”
Minha impressão
Fazia muito tempo que eu estava curiosa com esse livro e comecei a ler cheia de expectativas, logo nas primeiras páginas fui fisgada pela leitura e não conseguia parar. A premissa é completamente interessante e a escrita da autora é tão envolvente que a gente começa a ficar angustiado para saber o que vai acontecer, de fato, com a Martha. Se ela vai mesmo morrer no final dos sete dias ou se alguma coisa irá intervir para que ela seja libertada.

O livro tem muitas críticas sociais que estão presentes desde o começo e com o passar das páginas ficam cada vez mais notórias. É uma distopia, mas não estamos tão longe assim do encontrado na trama. Uma mídia manipuladora, um sistema judiciário falho, um governo corrupto, pessoas que fecham os olhos para as injustiças diárias, pessoas assassinadas para não revelarem o que sabem...

Quando Martha assume o assassinato de Jackson Page ela sabe que pode morrer, sabe que as pessoas que votarão serão manipuladas pelo programa e suas chances de sobrevivência são quase nulas, mas isso não quer dizer que ela não se aflija com a aproximação do sétimo dia, o que terá na sétima cela? Será que o plano vai dar certo? Será que as pessoas vão, finalmente, descobrir quem era o Jackson Page? Os dias de Martha estão contados e ela precisa fazer com que as pessoas saibam a verdade.

Temos pontos de vista alternados entre diferentes personagens e isso nos permite ver como as coisas estão fora da prisão, além de alguns capítulos trazerem cenas antes do assassinato e mostrarem como as coisas aconteceram para chegar ao ponto em que estão.

Agora estou ansiosa para ler o próximo volume, esse termina de uma maneira surpreendente!

Minha nota para o livro

9 comentários:

  1. Cara, amo distopia, gostei muito dessa dica!
    Fiquei pensando em como seria se os presos que cometem crimes mais graves aqui no brasil fossem condenados assim, por meio de um reality, acho que tanta gente seria condenada injustamente, mas ok.
    Fique curiosa pra saber qual ponto não ta amarrado no crime dela, vou investir nessa leitura!!

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  2. Achei a premissa desse livro super interessante, com esse sistema de justiça tão diferente e falho. Seu post me deixou mega curiosa para ler e descobrir o que acontecerá no sétimo dia.

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  3. Olá!! :)

    Eu confesso que não conhecia este livro, mas a verdade e que fiquei bastante curioso com ele!! Adoro o género!!

    Para alem disso, acho ótimo que existam narrações alternadas numa meio de uma historia assim!

    Boas leituras!! ;)
    no-conforto-dos-livros.webnode.com

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  4. Tudo bem Beatriz?
    Eu costumo curtir esse tipo de enredo. Faz um período que não leio nada assim e bateu uma saudade. Adorei sua resenha, pois ela levanta pontos importantes em uma obra dessas.

    Beijos.

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  5. Oi, tudo bem? Não conhecia o livro, mas gostei muito da trama, mesmo ela soando bem pesada. Amo distopias e crítica social, então é o livro perfeito para mim. Vou colocá-lo na wishlist, com certeza! Obrigada pela dica! <3

    Love, Nina.
    www.ninaeuma.blogspot.com

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  6. Já vi esse livro por aí, mas não sabia o que a história trazia, então saber que já de cara foi fisgada por ela é animador e só pela resenha já fiquei curiosa para conhecer mais de Martha. Gosto da ideia das criticas sociais, então se ler o próximo nos conte, pois eu já quero ler A Petima Cela.

    Abraços.

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  7. Olá, tudo bem? AH eu amei esse livro quando li, e até hoje estou doida pela continuação. Acho uma distopia muito crítica no nível social, o que adoro! Sem falar que meio que indiretamente entre no quesito político né?! Enfim, me surpreendi muito quando li pois confesso que não esperava muita coisa. E agora fico aqui roendo as unhas esperando o sucessor hehe Adorei a resenha!
    Beijos,
    http://diariasleituras.blogspot.com

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  8. Pra uma história como essa, a narração com pontos de vista alternados é muito importante porque nos dá uma visão mais geral sobre a obra. Não conhecia essa história, Bea, mas pela sua resenha dá pra notar bem como é uma narrativa sensacional e que em alguns pontos vai de encontro com a realidade.

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  9. Realmente, pela resenha dá curiosidade de saber o que vai acontecer com Martha, não conhecia o livro, muito raro vejo os lançamentos da Astral, mas me identifiquei com a proposta, espero ter a oportunidade de ler. Vou esperar a resenha do próximo animada

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