[Resenha] Unhas

13 de março de 2020

Título: Unhas
Autor: Paulo Wainberg
Editora: Leya
Páginas: 256
Ano: 2010
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*Acervo pessoal
Sinopse: Ele era contador, tinha uma vida tranquila de classe média, esposa e filhos, um escritório com secretária e uma rotina sem transtornos. Porém, ao deparar-se com um desconhecido na recepção de um hotel, descobriu sua verdadeira vocação: ser um exterminador de paixões proibidas. Esta revelação mudou a vida deste homem até então tão tranqüilo.
Os mandantes do crime são pessoas aparentemente normais, porém, almas atormentadas por uma paixão impossível. Há, por exemplo, o professor e pai de família que apaixona-se por sua aluna e larga todos para viver esse amor. Mas a jovem logo fica entediada e o abandona. Ele não suporta a perda e decide matá-la.
Em um clima de suspense, que perpassa todas as páginas do livro, o escritor Paulo Wainberg, prende a atenção do leitor ao mergulhar na mente de um psicopata e não poupar detalhes, mesmo os mais cruéis.
Resenha
“O corpo humano. Existe algo mais bonito na natureza? Mais perfeito, mais harmônico, mais estimulante? O seu interior, no entanto, é asqueroso, e uma pequena amostra do que existe embaixo da pele é nauseante. Tão lindo por fora, tão nojento por dentro.”
Unhas é um assassino de aluguel, seus clientes o contratam para dar fim à vida de jovens que lhes atormentam. Homens que não enxergam alternativas para as situações nas quais se encontram e descobrem a solução de seus problemas ao se depararem com a proposta de Unhas. Um “exterminador de paixões proibidas”. Ele não aceita qualquer caso, tem seus torpes princípios e só trabalha para aqueles que julga merecedores de seus serviços.

Unhas leva uma vida longe de suspeitas, é só um contador atarefado, com uma ex-mulher e dois filhos que não mantém contato. O casamento de Unhas não tinha nada demais, estava estagnado, caíra na rotina. Até que ele descobriu algo que reascendeu seu ânimo na vida e era preciso escolher entre o casamento já desgastado e sua recente descoberta. A escolha foi fácil. Ele abandonou a esposa e os filhos, fez questão de não manter contato com eles e apenas paga a pensão sem jamais ver os filhos ou falar com eles. A ex-mulher não entendeu, ficou desolada, mas foi obrigada a aceitar o divórcio e o distanciamento.
Unhas mantém a vida profissional como fachada para as suas verdadeiras práticas, e segue à risca seu protocolo de segurança. Tem um período relativamente longo entre um caso e outro; não tem contato pessoal com seus clientes que nem mesmo sabem quem ele é realmente; faz o anúncio de seus serviços no jornal (o que lhe dá muito trabalho para usar as palavras certas e atrair os clientes sem despertar o interesse da polícia) e coloca uma caixa postal para onde as cartas devem ser enviadas. 

É por meio de cartas que o primeiro contato acontece e depois somente uma ligação através de um celular pré-pago. Unhas escuta atentamente a história, julga se ela vale a pena seus esforços e dá o seu preço. Sem garantias de que vá realmente executar o plano. Sem uma data específica, apenas um longo prazo. O cliente que estiver tão desesperado para aceitar a proposta faz o pagamento antecipado e espera a morte daquela que está tirando o seu sono.
Os clientes que contratam Unhas são homens que têm casos com jovens que não conseguem tirar da cabeça e ameaçam suas vidinhas perfeitas. Elas não sabem que estão afetando a vida deles, algumas nem mesmo sabem que esses homens desprezíveis se interessaram por elas. São relações proibidas e esses homens têm total consciência de seus crimes e por isso querem matar as garotas. Quase todas são apenas adolescentes, algumas são crianças. 

Os clientes de Unhas são estupradores. Pedófilos. Alguns dos casos que ele aceita são de relações incestuosas. Unhas se excita com os relatos dos homens que o contratam e tira proveito das jovens que sequestra. Ele as tortura, as estupra e as mata. Nunca foi suspeito pelos crimes e age sempre de uma maneira que não deixa seus clientes na mira da polícia. Mas até quando conseguirá agir sem deixar pistas? A polícia está investigando e fechando o cerco. É preciso cada vez mais cautela para não acabar preso.
“─ Prometo que não vai doer. Um único golpe, e a inconsciência virá imediatamente. Meu bem, você nem sentirá o sangue jorrar de sua garganta. Vou lhe dar uma escolha, coisa que não costumo fazer. Entenda como uma vênia de agradecimento que faço aos aplausos que você, como meu público, sem dúvida dedica. Você quer que eu a estupre enquanto está viva ou prefere morrer antes? A escolha é sua, querida. Para mim, tanto faz.”
Minha impressão
Que decepção! Comprei esse livro achando que encontraria uma trama policial instigante, com um serial killer psicopata e uma investigação frenética da polícia em busca do assassino. Mas o que vi foi um livro que despreza a mulher, a obra tem um tom depreciativo que me incomodou durante toda a leitura (fora as questões que ainda vou mencionar) e as personagens femininas – embora sejam as verdadeiras vítimas – são exibidas como as vilãs, as erradas da história. Enquanto isso, os homens asquerosos que contratam Unhas para matar as garotas são tidos como certinhos, aqueles que estão apenas protegendo as suas famílias.

Misoginia é uma palavra que define perfeitamente esse livro. A mulher  é retratada como engenhosa, sedutora, promíscua, maquiavélica, ardilosa. São adolescentes que nem mesmo têm conhecimento de seus corpos ainda e são vítimas de pedófilos, homens casados, chefes de família, que estão tão envolvidos com os seus desejos que a única solução que veem para acabar com “seus problemas” é matar as garotas. Eles dizem que elas os seduziram, que foram enganados pela inocência, que não conseguem mais tirá-las da cabeça e isso ameaça suas famílias e então contratam Unhas para matá-las. E também há relações incestuosas.

Há cenas de estupros, há casos explícitos de terror psicológico aos quais as adolescentes e crianças são submetidas. Leio muitos livros policiais e thrilleres, são os gêneros que eu mais gosto, sei diferenciar quando o autor escreve um personagem repulsivo para explorar a personalidade dele sem romantizá-lo, mas o que acontece nesse livro é algo repugnante. Unhas é romantizado, os clientes dele são trabalhados para despertar compaixão no leitor e as jovens que são vítimas deles são desenvolvidas para fazer com que o leitor ache certo que Unhas as mate, como se fossem as culpadas. 
Não recomendo o livro, ele me deu nojo. É claro que cada leitor tem uma visão diferente de um livro, então se quiser tirar suas próprias conclusões, vá em frente. Eu perdi o meu tempo lendo. 

Minha nota para o livro

3 comentários:

  1. Pela sinopse e pela capa, eu juro que esperava o mesmo que você, um baita thriller, um serial killer e até eu tô decepcionada, e olha que eu nem li o livro!!
    Que ranço que eu fiquei, se tem uma coisa que eu odeio é quando o autor confunde (ou faz de propósito) um personagem ruim com misoginia ou racismo enfim, isso me faz abandonar o livro antes da metade, que ranço.

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  2. Oi Beatriz, tudo bem?
    Quando eu terminei de ler a tua resenha, tive vontade procurar o Face, Insta ou o diabo a quatro do autor desse livro e xingar o cara de TUDO porque eu DETESTO autores que constroem personagens dessa maneira para justificar o que não tem justificativa. SÉRIO, eu não li o livro e nem quero!
    Um beijo de fogo e gelo da Lady Trotsky...
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