4 de janeiro de 2017

[Resenha] Fahrenheit 451

Título: Fahrenheit 451
Autor: Ray Bradbury
Editora: Globo Livros
Páginas: 2016
Ano: 2014 (edição Globo de Bolso)
Leia a sinopse no Skoob
*Acervo pessoal


Em um futuro próximo, a leitura é proibida e os bombeiros são os responsáveis por incendiarem os livros! Uma sociedade que vive oprimida e sem questionamentos, uma sociedade que aceita sua condição sem se impor, aqueles que pensam qualquer coisa diferente da grande massa são considerados estranhos. Mas o que aconteceria se um bombeiro visse as coisas de um jeito diferente? Continue lendo a resenha e saiba mais sobre a obra.
Guy Montag é um bombeiro local e, ao contrário do que conhecemos da profissão nos dias de hoje, seu dever é atear fogo! Atear fogo em livros e nos locais onde são encontrados. A leitura está proibida, a sociedade, aos poucos, foi se tornando superficial, vazia, desprovida de sentimentos e pensamentos. Essa realidade acontece em um futuro próximo, com o avanço da tecnologia as pessoas se voltaram cada vez mais para seu próprio universo, esquecendo-se de tudo à sua volta.

Antigamente (antes da época atual em que o livro se passa), as pessoas gostavam de ler e se dedicavam à leitura. Com o passar do tempo, a quantidade de livros foi aumentando e, gradativamente, a qualidade deles foi diminuindo. Com isso, clássicos foram reduzidos em poucas páginas, aglomerados em resumos de obras. Outros foram escritos sem que se pudesse aproveitar seu conteúdo, livros, livros e mais livros. Um monte de livros vazios! As pessoas foram se cansando da vasta variedade de livros sem essência alguma e a própria sociedade começou a destruir os exemplares.
Anos se passaram e as pessoas se acostumaram a ter uma vida sem leitura e ficaram cada vez mais cegas para o que diz respeito aos demais, cada um quer saber apenas da própria vida. A tecnologia avançada permite que se tenha toda diversão desejada na própria sala, onde são instaladas paredes inteiras de televisores. Ninguém precisa de mais nada! No entanto, a felicidade não é algo vivo, as pessoas são oprimidas e muitas cometem suicídio. A esposa de Montag também tentou se matar mas, felizmente, foi salva. Nesse episódio, ele percebeu que se ela realmente tivesse morrido, ele não sentiria sua falta.

No começo do livro Montag conhece Clarice, sua vizinha, uma adolescente que é considerada anormal, apenas por ter costumes e vontades diferentes. Ela gosta de conversar, olhar para a lua, fazer reflexões, sentir o gosto da chuva... coisas simples, mas que para a sociedade a fazem ser considerada perigosa. Afinal, o indivíduo que pensa é um indivíduo que pode se rebelar. Passando algum tempo com Clarice, Montag começou a se questionar sobre algumas coisas e algo mudou dentro dele, mas o estopim foi quando ele atendeu a um chamado e presenciou uma cena inesquecível: Uma mulher se recusou a abandonar seus livros e foi queimada junto com eles!
Montag quis descobrir o que os livros têm de tão magníficos, ao ponto de uma mulher morrer por eles. Instigado pelas conversas com Clarice e pela curiosidade, Montag resolve roubar livros que seriam queimados e começa a ler. Só então ele aprende o que há muito tempo vinha sendo escondido, compreende a beleza da leitura e sente a necessidade da cultura, de repente, filosofia, poesia, história... começaram a ser essenciais na vida dele.

Montag começa a se revoltar com a política e com a sociedade, começa a querer fazer mais, ele quer que as pessoas saibam que estão sendo enganadas. porém, ninguém quer ser alertado e todos preferem continuar com suas vidas medíocres. Agindo assim, Montag corre perigo pois está infringindo a lei, indo contra sua própria profissão, incitando as pessoas a pensarem por si mesmas e a se rebelaram.
Minha impressão
Que livro! Eu ouço falar de Fahrenheit 451 há muito tempo e sempre tive curiosidade com ele, ganhei essa edição em um concurso da editora (já faz um bom tempo) e digo que é um livro que merece ser lido, que merece ser indicado, que possui uma qualidade extraordinária e que nos apresenta uma distopia fascinante.

O livro foi escrito logo depois da Segunda Guerra Mundial, mas é incrível como a narrativa do autor ainda é muito atual e como o cenário descrito contribui para que o futuro incerto da obra se pareça muito com o nosso tempo. Temos visto obras literárias aos montes, mas se parássemos para analisar a qualidade de cada uma nos espantaríamos com o que encontraríamos. Assim como no livro, também encontramos clássicos sendo resumidos e obras inteiras reescritas com uma grande perda de qualidade.

Durante a leitura eu imaginei toda essa situação acontecendo atualmente, seria totalmente possível que a população se revoltasse e começasse a queimar livros, não apenas por achá-los ruins, mas por discordarem de crenças, de ideais ou de religião. Livros com qualidade baixa, livros que falem sobre assuntos que não interessam para alguns, livros que explorem culturas diferentes... Mas o resultado dessa medida extrema foi uma sociedade completamente fútil e ignorante de qualquer cultura, apenas alienada por notícias estratégicas anunciadas nas grandes telas de suas paredes. 
"Um livro é uma arma carregada na casa vizinha"
Minha nota para o livro

8 comentários:

  1. Já li várias resenhas da obra, e parece ser uma leitura incrível, e eu fico imaginando como deve ter sido para às pessoas serem privadas de fazerem leituras, de obter conhecimento, a intenção naquela época era "cegar" os cidadãos. Porém nem tudo sai como esperamos, e tem aquelas pessoas que ficam se questionamento o porque daquilo, e de alguma forma dão um jeito de "fugir" daquilo, pretendo ler logo essa obra.
    Trouxa do Livro

    ResponderExcluir
  2. Li esse livro. Finalmente alguém resenhou um livro que eu li. Um bom livro, muito bem escrito, único livro que se assemelha a literatura fantástica que consegui terminar de ler. Me levou a outro mundo e pensar na alienação que sofre o povo em relação a informação, pois quem tem informação tem poder, ou seja, quem tem informação, pode selecionar o que divulgar, bem como que conhecimento pode ser disseminado. Ótima leitura.

    ResponderExcluir
  3. Oi Bia!
    Eu adoro distopia, mas não sei se leria este livro. O fato da narrativa ser bem atual é bem interessante.
    Bjs

    ResponderExcluir
  4. Bia, fiquei encantada com sua resenha e com a premissa do livro! Quero muito lê-lo!

    Bjs
    www.livrosdabeta.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
  5. Gente, não basta o horror de queimar os livros, ainda queimaram a mulher junto!!!! Fiquei passada com isso. Eu conhecia o livro, mas não havia me atentado ao conteúdo. Vou anotar a dica.
    Bjs

    ResponderExcluir
  6. Betariz, esse livro tem que ser lido por todo mundo mesmo!
    Quando eu li, fiquei chocada com isso de queimar livros, mas apesar de ser distopia, não de distancia muito da realidade, infelizmente, porque as são capazes de tudo.
    Abraços.

    ResponderExcluir
  7. Já cheguei a ver esse livro, mas ainda nao tinha contemplado nenhuma resenha e nem a sinopse dele, mas me interessei de verdade pela conteúdo.
    O fato de um bombeiro atear fogo, em vez de apagar, e principalmente se tratando de livros. Parabéns pela resenha!!

    Beijos

    Viviana

    ResponderExcluir
  8. Oi Bea, sempre ouço muito falar desse livro mas nunca tive a oportunidade de ler, espero um dia poder fazê-lo. sua resenha está maravilhosa, essa edição mesmo sendo de bolso é uma graça.
    Adorei ver O Caso dos dez negrinhos por ali também (não me adapto a esse título novo) você já leu?
    Se não, leia é maravilhoso.
    Beijoos

    ResponderExcluir