[Resenha] Em um porão escuro

2 de março de 2026

Título: Em um porão escuro|| Autor: Cara Hunter

Editora: Trama || Páginas 376 || Ano:2022

Resenha

Quando funcionários fazendo obra encontraram uma jovem em condições deploráveis no porão da casa ao lado, a polícia não imaginaria que esse caso fosse trazer tantas complicações à medida que as investigações fossem se intensificando. Além da moça, um bebê com cerca de dois anos de idade também era mantido preso no porão.

Ao que tudo indica, o dono da casa era responsável pelo cárcere privado e a situação de suas vítimas piorou devido ao agravamento da sua condição mental, ele está com Alzheimer e pode ter esquecido que tinha reféns no porão. Porém, o idoso fragilizado de hoje pode não refletir o homem que prendeu a jovem dois anos antes e a vinha torturando desde então.

A moça não consegue falar e está extremamente debilitada. A polícia não consegue obter informações com ela e a equipe médica acha melhor não perturbá-la, a pobrezinha já passou por muita coisa e tudo o que precisa agora é se sentir segura para poder se recuperar. E a criança também está abalada. Um menino que não conhece nada além do porão e das maldades a que foi submetido.

A jovem está rejeitando a criança, e tudo deve ser traumático demais para o menininho, a única pessoa no mundo que ele conhece tem acesso de raiva quando o vê, seu pequeno mundo desmoronou e ele fica irritado, grita, não sente confiança em ninguém. O serviço social teve dificuldades para encontrar um lar temporário e a solução foi deixá-lo com um dos policiais e sua esposa. Só que esse casal passou pela perda de um filho de maneira trágica e uma nova criança em casa reabre feridas mal cicatrizadas.

A investigação parecia chegar a um desfecho sólido, as evidências apontavam para uma direção, no entanto, a descoberta de um corpo nas dependências de onde a jovem e o bebê foram encontrados muda tudo. Seriam dois crimes diferentes ou eles têm alguma relação? Quem é a mulher que foi brutalmente assassinada?

Quanto mais a polícia procura por respostas, mais perguntas aparecem e as coisas se complicam. E ainda tem o diário que a jovem escrevia escondido de seu algoz, ele estava trazendo luz à investigação, até não trazer mais e começar a plantar dúvidas.

Minhas impressões

Em um porão escuro é um suspense construído em camadas sombrias que se desmancham em uma trama friamente arquitetada por uma mente doentia que escondeu a verdade diante de todos e ninguém percebeu.

Esse é meu segundo livro da autora e, mais uma vez, ela conseguiu me surpreender muito. Eu fiquei completamente surpresa e quanto mais eu lia e criava teorias, mais as via se desfazendo e novas dúvidas iam surgindo. É aquele tipo de suspense que não dá vontade de parar de ler, e o final, meus amigos, o final é de cair o queixo!

A moça encontrada era só uma adolescente quando foi sequestrada, segundo seu diário, ela foi submetida e inúmeros abusos e quando engravidou ela não queria a criança, porém, o homem que a sequestrou disse que seria mais gentil e a trataria melhor por causa da gravidez e enquanto ela cuidasse do filho. Então, em benefício próprio, ela aceitou a condição e cuidou de manter a criança viva, ainda que sem nutrir qualquer tipo de afeto por ela.

No hospital, fica evidente que a relação entre mãe e filho nunca será aceita e que o menino representa para ela toda a tortura dos anos em que esteve no porão. Mas ele é só um bebê, não tem culpa de ter nascido devido aos abusos do pai. O menino está sofrendo tanto quanto a mãe e sofre ainda mais quando ela o rejeita. Eu conseguia entender o que a jovem estava sentindo, mas ao mesmo tempo ficava de coração partido pela criança. Tadinho, ele só conheceu maldade desde o momento em que foi concebido.

E quando um corpo foi descoberto eu fiquei ainda mais confusa, eu tinha uma certeza durante todo o livro e, de repente, minha teoria não fazia mais sentido. Adorei a maneira como a autora foi trazendo mais dúvidas para a trama e como ela interligou tudo no final. Fiquei me perguntando que relação os dois crimes poderiam ter, se é que tinham alguma, e não estava preparada para as revelações que viriam.

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