[Resenha] Ave-Lira

26 de fevereiro de 2026

Título: Ave-lira || Autor: Cecília Ahern

Editora: Harper Collins || Páginas 384 || Ano:2024

Resenha

Bo, Solomon e Rachel são produtores de documentários, um em especial fez um grande sucesso ao retratar a vida de dois irmãos que moravam em uma montanha. Os gêmeos Toolin ganhou uma importante premiação e os irmãos Joe e Tom conquistaram a audiência. Agora, a equipe de produção está de volta à montanha para o funeral de Tom.

O que ninguém esperava é que uma nova e gigantesca história cairia em suas mãos. A morte de Tom abalou Joe, afinal, seu irmão era sua única família e agora ele está sozinho. Mas uma reviravolta chega para trazer mais mudanças. Seu irmão, que Joe sempre achou que sabia de todos os segredos, escondia uma mulher no chalé da família por dez anos.

Laura viveu escondida a vida toda, sua existência é um segredo e ela gosta de sua solidão. Sua companhia são os animais da mata, onde ela se sente bem. Tom era quem levava suprimentos desde a morte da avó dela, que fez um acordo com ele para que Tom cuidasse de Laura após ela (a avó) partir deste mundo.

Mas quando, anos depois, o próprio Tom falece, Laura fica completamente perdida. Ela nunca falou com pessoas, nunca sequer esteve na presença de alguma, e agora, de repente, se vê obrigada a sair de seu lugar de conforto, da segurança do seu lar, para o mundo conhecê-la e apreciar seu fascinante dom. Ela tem um talento único, quase místico, que a transforma imediatamente na sensação do momento.

Laura tem a habilidade de recriar sons de maneira idêntica, todo e qualquer som que escuta ela reproduz sem nem perceber. Algo natural, que vem de dentro do seu ser e ela não se dá conta do que faz. Quando conhece os produtores do documentário, a reação dela é de defesa, ela se retrai, fica arisca, assim como qualquer animal selvagem confrontado pela presença humana. 

No entanto, uma das pessoas parece compreendê-la e Laura sente que pode confiar nele. É Solomon, o técnico de som. A conexão entre eles se torna mais clara a cada instante e isso não parece ser um problema para Bo, namorada de Solomon. Bo vê Laura como a oportunidade de criar um novo sucesso e vai tentar explorar ao máximo a sua história.

Minhas impressões

Uma obra encantadora, emocionante e incrivelmente bela sobre confiança, amor e a liberdade de sermos nós mesmos.

Eu já havia sido conquistada pela escrita de Cecelia Ahern em P.S. Eu te amo, agora, em Ave-Lira, ele me arrebatou novamente com sua maneira poética de contar histórias. E que histórias marcantes ela nos entrega. Ave-Lira é um romance dramático, com uma carga emocional forte ao mesmo tempo em que possui leveza ao nos apresentar as habilidades fascinantes de Laura. Ela é uma mulher que foi privada da vida em sociedade e escondida por sua mãe, depois sua avó e, por fim, o dono do chalé onde vivia.

Por que tanto mistério em torno dela? Por que ninguém poderia saber de sua existência? Ao conhecê-la melhor, imaginei que fosse pelo seu dom peculiar, afinal, nem todos a compreendem e a maldade humana está além de nossa compressão, sendo tão ingênua, poderia sofrer muito nesse mundo cruel. Porém, seu segredo atravessa gerações e ela o carrega em sua essência. Manter-se escondida não era apenas para seu bem, era para uma segurança além de si mesma. Mas chegou o momento de voar do ninho e revelar a sua história. 

Laura me irritou muito e a culpa nem era dela. Sem perceber Laura estava se enfiando no relacionamento de Bo e Solomon, ela só queria estar perto dele, dormir ao lado dele e aos poucos Bo foi sobrando. Mas, quem mais me irritou foi Solomon, um homem maduro e experiente que se deslumbra pela ingenuidade de Laura e começa a desenvolver sentimentos por ela mesmo sendo comprometido. E ele não tinha a decência de ou impôr limites a Laura ou terminar com a Bo.

Mesmo passando raiva com essa questão, Laura me conquistou e eu queria protegê-la. Como disse, não era culpa dela o que acontecia entre Bo e Solomon. Laura tem um coração puro e os sons que reproduz são feitos por instinto, ela não pode controlar. Assim como a ave-lira da natureza e por isso ela recebe esse apelido.

É uma leitura intensa, com momentos doloros, mas também com mensagens bonitas e inspiradoras.

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