[Resenha] Três Sóis

7 de fevereiro de 2020

Título: Três Sóis
Autor: William Soares dos Santos
Editora: Patuá
Páginas: 140
Ano: 2019
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*Cortesia da Oasys Cultural
Sinopse: Este livro é o ápice do desempenho criativo de William Soares dos Santos.
Com efeito, o livro, dividido em seis partes, todas abrindo com sugestivas ilustrações e epígrafes de autores consagrados, da antiguidade aos nossos dias, tece uma espécie de arco, que vai do registro de um fenômeno meteorológico inusitado, que ocorre em regiões nórdicas, ao registro inquietante do próprio fenômeno poético, “sem pano para esfinge, / sem sombra alheia”.
​Diante da envergadura desse arco de estranhezas, o autor confessa que “a poesia que escrevo agora / quer apenas / a claridade dos espaços”.
Resenha
Apesar dos eclipses
Apesar dos eclipses, 
ainda haverá sóis
em galáxias dispersas
ao redor dos quais
gravitará a vida em
circunstância 
e a sua natureza
permanecerá
a mover-se 
em sempiterno destino.
(página 37)

Dividido em seis partes, Três Sóis é uma obra de extrema qualidade e beleza onde o autor nos traz uma série de poemas que abordam diversos assuntos e envolvem o leitor, deixando-o reflexivo após a leitura. William Soares dos Santos possui uma escrita madura e seus poemas nos provocam sensações que permeiam pela melancolia, felicidade, saudade, além de nos fazer pensar sobre o tempo, a vida, a natureza.
Ao analisarmos alguns de seus poemas é possível identificarmos a diferença entre a vida postada nas redes sociais e a realidade, aquilo que vemos na tela do computador ou celular é sempre lindo e feliz, quando o que acontece por trás das câmeras nem sempre é daquele jeito que foi exibido. Em seu poema Aniversário (página 83) este fato está ainda mais evidente.

No poema, o autor relata o dia do aniversário de uma pessoa que nas redes sociais foi muito festejado, recebeu muitas felicitações e likes, mas - ao final do dia - aquela pessoa estava solitária, alegre com os balões de felicidades na tela do computador, mas o sorriso falso entrega a sua verdadeira tristeza. Também percebemos certa semelhança em Fotografias (página 82), poema no qual o autor falar sobre a quantidade exorbitante de fotografias digitais.
Os dois poemas que citei anteriormente estão na parte quatro do livro, O novo "modus operandi" do mundo. O poema de mesmo título dá abertura a essa parte e mostra como temos deixado algorítimos ditarem as nossas vidas. Outro ponto da obra que eu gostei muito foram os poemas do quinto livro, Memórias de junho, são textos que nos trazem à memória a nossa infância, que nos recordam de tempos esquecidos, e nos fazem lembrar de momentos alegres, de brincadeiras, de cheiro de bolo... mas também podemos parar para pensar no futuro.

Os seis livros que dividem a obra são:

  • (1) Três Sóis
  • (2) Eclipses
  • (3) Os girassóis da juventude
  • (4) O novo "modus operandi" do mundo
  • (5) Memórias de junho
  • (6) O jogo do poema
Antes de cada parte há uma figura (pintura ou fotografia) e um texto de algum autor consagrado que mostra o tema que aquele caderno irá abordar.
Minha impressão
Esse é o segundo livro que eu leio do autor e - novamente - me encantei com a beleza de seus poemas. A outra obra de William Soares dos Santos que eu li foi Raro (poemas de Eros), com poesias eróticas bastante intensas e envolventes, em Três Sóis as poesia que encontramos são bem diferentes, mas tão envolventes quanto.

A escrita do autor é madura, ele mostra domínio da Língua e brinca com as palavras. A obra está muito bem trabalhada e a divisão dos livros agrupa os poemas pelos temas que abordam. A diagramação dá um charme a mais ao livro, completando a sua beleza. Além das imagens no começo de cada capítulo e uma epígrafe, também temos folhas pretas que contrastam com as demais e dão um visual muito bonito. 

Amantes de poesia com certeza vão gostar da obra. 

Minha nota para o livro

4 comentários:

  1. Oi, tudo bem? Adoro poesia e leia bastante em perfis no Instagram, mas já faz um tempinho que não leio nada físico. Fiquei curiosa para conhecer as obras do autor, parecem poemas bem envolventes e bonitos. Pena que os livros da Patuá, geralmente, são bem caros :/ Não posso comprar agora, mas vou deixar na minha wishlist :) Adorei a capa, é bastante asbstrata, mas passa uma coisa bem sólida (amo azul, então, sempre gosto dessa cor em capas de livros).

    Love, Nina.
    www.ninaeuma.blogspot.com

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  2. Oi Beatriz.

    Sinceramente não conhecia este livro e através da sua opinião que estou tendo algumas informações e fiquei bem interessada. Ainda mais sabendo que a escrita do autor é madura e bem trabalhada. Obrigada pela dica já adicionei na lista de desejados.

    Bjos

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  3. Oi Beatriz, tudo bem?
    Poesia, escrita bem trabalhada e temáticas interessantes. Gosto MUITO disso!
    Também adorei a composição da edição e sem dúvida eu adoraria ter essa obra na minha estante. Ainda mais porque sou apaixonada pela cor azul, ^^.
    Um beijo de fogo e gelo da Lady Trotsky...
    http://www.osvampirosportenhos.com.br

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