29 de julho de 2016

Um país de faz com leitores e livros

Imagine uma sala de aula repleta de criancinhas bem pequenas, todas ansiosas na fila para chegar a um lugar determinado, conduzidos pela professora. Que lugar você imagina que seria esse? Um parque? O playground? Não. É a biblioteca da escola. Eles vão animados e felizes para a aula de leitura, realizada às vezes pela professora, às vezes pelos próprios amiguinhos ou até individualmente.

Essa é a realidade de muitas escolas hoje, públicas ou particulares. E como resultado, vemos despontar números otimistas como o aumento de leitores no país. Pesquisa bem recente indica que esse número subiu 6 pontos percentuais  (De acordo com a 4ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Ibope sob encomenda do Instituto Pró-Livro.)
Conforme os anos passam e essas crianças crescem, a procura por livros diminui um pouco, assim como seu desempenho escolar na disciplina de Língua Portuguesa e outras da área de ciências humanas.

Mas a essa altura, o prazer de se encontrar com o livro e começar a leitura daquelas histórias fascinastes já realizou sua magia e conquistou um vasto número de estudantes leitores. Com um bom direcionamento, lê-se de tudo: poesias, textos informativos, narrativas de aventura e ficção, paradidáticos, clássicos e principalmente Best Sellers.
É incrível observar como a prática de leitura repercute na produção de texto de cada um. Forma-se uma linha divisória entre aqueles estudantes que, por inúmeros motivos, perderam o interesse pela leitura e aqueles que são assíduos frequentadores da biblioteca escolar ou mesmo aqueles que desembolsam parte da mesada ou do salário, quando já trabalham, para adquirir os livros de seu interesse.

Esse último grupo apresenta narrativas muito próximas da perfeição, repletas de aventura, fantasia, criatividade e originalidade, com o mínimo de erros gramaticais, enquanto o outro grupo apresenta textos simples, sem criatividade, com um número expressivo de inadequações. Na interpretação, ocorre algo muito parecido. O primeiro grupo se utiliza de sua bagagem cultural e maior conhecimento de mundo, muitas vezes adquiridos por vivências práticas ou assimiladas pelas leituras e identifica com maior facilidade e rapidez a coerência do texto apresentado em avaliação.

Sem a pretensão de ser a dona da verdade ou de esmiuçar o problema aqui neste artigo, quero apenas deixar claro que o bom ensino e a boa aprendizagem (coisas diferentes) da língua portuguesa passam pela dedicação do adulto que acompanha a vida escolar dos estudantes. Sempre gostei de ler para meu filho, desde bebê e era nítido o prazer que ele sentia ouvindo as histórias ou poemas. Como professora, gosto muito de ler para meus alunos em rodas de leitura. Infelizmente, não se consegue conquistar a todos (ressalto que a questão não é simples e envolve um grande número de fatores). O importante é não desistir. 
Certa vez, fui levada a ler um livro (Admirável mundo novo), somente pela maneira que um professor utilizou para falar dele, com empolgação, contando uma pequena parte da história, mostrando-nos o sentido que aquilo fazia dentro da narrativa. Sempre com isso em mente, tento seduzir alguns leitores a procurarem os livros que cito, com brilho nos olhos e emoção na fala. Isso causa um efeito e tanto.


Para finalizar, nem tudo na educação são flores. Com certeza, há muitos problemas a serem resolvidos, principalmente no ensino-aprendizado da língua materna. Mas o aumento de escritores brasileiros assim como o aumento de leitores brasileiros é um sinal de que estamos no caminho certo e não podemos desistir jamais de construir um grande país, que se faz com leitores e livros, uma releitura feliz da frase de Monteiro Lobato que encontrei no blog “Leio eu”.


TEXTO ESCRITO POR ADRIANA BIZUTI
Adriana é autora do livro Essencialmente Clara!

Texto: Adriana Bizuti

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